EDUCAÇÃO E CIDADANIA





Somos professoras da Educação Infantil do Municipio de São José do Rio Preto. Após participarmos efetivamente do Curso Diversidade e Cidadania pela Unesp de Bauru -EaD, divulgamos por meio deste blog, nosso Trabalho de Conclusão de Curso com textos e pesquisas relacionados aos temas abordados pelo curso.



sábado, 6 de março de 2010

Educação Indígena

Acredito que a maioria dos brasileiros não tem conhecimento da situação dos povos indígenas, apenas se sabe o que aprendemos na escola e alguns fatos nos meios de comunicação.
Com a colonização os povos indígenas passaram de pessoas livres seguindo seus costumes e sua ordem natural para uma profunda desordem, esta transição foi chamada de “malencontro” (Pierre Clastres). Eles deixaram de ser povos selvagens da floresta como diziam os brancos para se tornarem cidadãos brasileiros com o direito de viver com suas diferenças. Mas não possuem autonomia para gerir as florestas ou reservas em que vivem.
Na colonização eles viam os índios como trabalhadores que tinham que ser ensinados a adotar seus costumes europeus, assim começou a escravidão, a violência bruta e a simbólica que é o ensino.
Vemos a relação entre colonialismo, nazismo ou comunismo bem parecidas (as pessoas conquistadas deviam seguir seus propósitos) como diz Hannah Arendt. O antropólogo Michel Taussig cita que essas praticas como “espaço da morte” onde os índios podem seguir seus costumes desde que sigam as leis e costumes do branco.
Da relação entre essa violência e a pedagogia jesuíta nasceu a escola indígena.
Vários estudos arqueológicos na floresta amazônica confirmaram a existência de cidades, ancestrais dos kuikuro viveram na região do Xingu, mas a colonização não aceitava que selvagens tivessem o conhecimento necessário para a construção de cidades. Segundo Michel J. Heckenberger algumas áreas da floresta já é de crescimento secundário, ocorreu após os nativos serem dizimados. O desafio na Amazônia é, além da preservação ambiental, a recuperação de técnicas de cultivo e reflorestamento sustentável que os ancestrais da população atual desenvolveram.
Os índios que quisessem sobreviver teriam que se aculturar, mas o que aconteceu foi a perda da identidade étnica.
Na educação, os jesuítas na colônia viam os índios como filhos de Deus que desconheciam a verdade da fé e conhecer a palavra de Deus, cristianizar era o mesmo que viver como civilizados.
Desde o Brasil colônia, se elaborou leis específicas de proteção aos índios, mas nunca funcionaram, sempre valeu os interesses particulares. A legislação imperial permitia que o índio existisse indefinidamente e da república, ele deve ser “um cidadão”, deixar de ser índio. O Brasil se modernizou e com a república os problemas continuaram esse progresso também trouxe a devastação dos recursos naturais, da vida de animais e plantas.
.A partir dos anos 70 programas para as escolas indígenas são desenvolvidos com o objetivo de transformação. Essas organizações contratavam pessoas para alfabetizar os indígenas, a proposta era ensinar o português e não a língua nativa, para se comunicarem nas cidades.
O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) levou um projeto de alfabetização na língua nativa, valorizando a educação para a liberdade (Paulo Freire) no caso autonomia, abundancia com professores participando da vida política das aldeias.
Com a nova república a dimensão política contestadora da ação das organizações (ONGs) desaparece para dar lugar a uma ação institucional vinculada ao Estado.
Na constituição de 1988 os povos indígenas entram na diversidade social, a educação será comunitária, intercultural, bilíngüe, específica e diferenciada, eles devem ser respeitados na sua diferença, são capazes de analisar a realidade em que vivem com autonomia e constituir um projeto político adequado.
A escola indígena vem para reduzir as desigualdades, afirmar seus direitos e conquistas levando ao diálogo.
Atualmente a maioria dos professores são indígenas, a educação adequada possibilita que o ensino desenvolvido em cada escola preserve os conhecimentos específicos de cada povo. Para que a educação indígena melhore, é necessária a construção de novas escolas e de recursos para produção de material didático apropriado e qualificação profissional desses professores visando garantir o processo educacional.
A educação indígena está em crescente transformação e o uso das tecnologias para o registro de seus modos e costumes contribui para preservar e levar a outros suas tradições através da divulgação desse material produzido nas próprias aldeias.
Devemos lembrar que vivemos num país formado por índios, europeus e africanos. Cada grupo trouxe seus modos, costumes e tradições essas culturas fazem parte da nossa vida. O respeito as diferenças são importantes para o desenvolvimento da cultura nacional.

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