Educação indígena
Atualmente, a imagem do índio, constituída por jornais, revistas, livros didáticos, programas de televisão vem dotada de novas concepções. Há pouco tempo atrás, sua imagem era mais deturpada e estereotipada. Quem é que não se lembra das comemorações escolares, em que as crianças saiam todas pintadas. Infelizmente, hoje em dia, algumas professoras praticam estas ações com seus alunos, descaracterizando e mostrando uma face indígena irreal. Ao pararmos para refletir, veremos o quanto somos preconceituosos a respeito e o quanto desconhecemos sobre a cultura indígena. É só recordamos os manuscritos dos livros didáticos, as propagandas televisivas e o que a sociedade sabe a respeito dos povos indígenas.
Quando os europeus chegaram no Brasil, procuraram “amansar e domesticar” os povos que aqui existiam visando força de trabalho para avançar e desbravar as matas em busca de algo que lhes trouxesse riqueza. E conseguiram, nossa terra foi explorada e dela muito se extraiu com a ajuda indígena. É neste contexto, colonizando e explorando, que nasce a “escola indígena”, com base na educação jesuítica. Mas, por que chamar de escola indígena se o que era ensinado não levava em consideração a cultura desta sociedade?
A escola indígena nasceu com o objetivo de evangelizar os índios e “educar” seus corpos, pois para os europeus, este povo era bárbaro demais para conviver com eles e por isso precisavam ser doutrinados e escravizados. Com o passar do tempo, foram surgindo novas propostas e olhares para a educação do povo indígena. Muitos fatores foram influenciadores, como por exemplo, as transformações no processo educativo e as formas de pensar a educação, aliados as transformações sociais, surgimento de ONGs, etc. Todo processo, ainda muito lento, passou por muitos percalços, primeiro, não se levava (ou leva) em conta o modo de vida deste povo, tenta-se introduzir um modo de vida diferente, uma linguagem diferente, buscando o que se considera padrão. Os educadores, muitas vezes estão aquém dessa cultura e quando fazem parte, é de maneira superficial.
[...] as escolas indígenas necessitam de formação de pessoal especializado, currículos mais próximos de suas realidades e mais condizentes com as novas demandas de seu povo, capazes de promover junto aos alunos indígenas o exercício pleno da cidadania e da interculturalidade, o respeito as suas particularidades linguistica-culturais. (FAUSTINO; RODRIGUES; GILBERTO; MELO; 2001)
E acrescentam,
A escola representa para os índios hoje a possibilidade destes aprenderem os conhecimentos de que necessitarão para o relacionamento com a sociedade envolvente e continuarem sobrevivendo ao contato, que é cada vez mais intenso. (IDEM)
Portanto, ficou claro que é cada vez mais gritante a necessidade da inclusão de uma educação voltada para a cultura indígena, com profissionais capacitados e que utilizem de uma metodologia condizente com os modos de vida destes povos. Faz-se necessária uma escola indígena e não uma escola para “educar e integrar” índios. É preciso olhar para o povo indígena como uma sociedade que tem conhecimentos milenares a respeito da fauna e flora, sabendo utilizá-las de maneira inteligente para sua sobrevivencia. Um povo que possui um grande conhecimento geográfico do local onde vivem e se organizam com suas próprias “leis”. Para finalizar, acredito que as contribuições a seguir, sintetizam o que considero de suma importância saber acerca dos índios.
As sociedades indígenas têm seus próprios meios de produzir e transmitir os conhecimentos necessários à realização do trabalho que garanta a sobrevivência da comunidade e à preservação das tradições culturais. Têm também códigos jurídicos e sociais que norteiam o comportamento individual e grupal.
Estes conhecimentos são produzidos com a experiência, a vivência e, apreendidos oralmente ou por imitação. As crianças vivem no meio dos adultos observando, imitando alguns de seus atos, praticando jogos e brincadeiras que contribuem com o seu desenvolvimento cognitivo. O fato do conhecimento ser apreendido de forma espontânea não significa dizer que as crianças não sejam orientadas, em diversos momentos, por seus pais, parentes e demais adultos do grupo.
As crianças e jovens são orientados, treinados e praticam, no decorrer de seu desenvolvimento, tudo aquilo de que vão precisar saber quando forem adultos para ocuparem seus lugares desempenhando bem seu papel na organização social. (FAUSTINO; RODRIGUES; GILBERTO; MELO; 2001)
Referências
FAUSTINO, Rosângela Célia, RODRIGUES, Isabel Cristina; GILBERTO, Paula C. B. Delgado; MELO, Sandra Aparecida. O papel da educação escolar na defesa da cultura indígena. Laboratório de Arqueolologia, Etnologia e Etno-história-CCH/Universidade Estadual de Maringá. Vol. 5, N.4. Out/Nov/Dez, 2001. Disponível em: < http://www.dge.uem.br/geonotas/vol5-4/celia.shtml>. Acesso em 14/12/2009.
terça-feira, 9 de março de 2010
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