EDUCAÇÃO E CIDADANIA





Somos professoras da Educação Infantil do Municipio de São José do Rio Preto. Após participarmos efetivamente do Curso Diversidade e Cidadania pela Unesp de Bauru -EaD, divulgamos por meio deste blog, nosso Trabalho de Conclusão de Curso com textos e pesquisas relacionados aos temas abordados pelo curso.



domingo, 14 de março de 2010

Analise da Cultura e Educação Indígena no Brasil

A cultura indígena sempre foi permeada por histórias misteriosas, cheias de entrelinhas.
Sempre tive a ideia de que os índios foram vitimas de uma colonização ingrata e cruel, mas nunca pensei em comparar tal situação com o nazismo ou fascismo, como podemos ler no trecho do livro, O Livro Negro do Colonialismo, escrito pelo historiador Marc Ferro (2004). Se pensarmos friamente é real essa ideia; quanta a crueldade permeou a nossa história.
A cultura indígena foi e ainda é brutalmente assassinada. Foi-se retirados os valores, os costumes e a vida.
Com a educação jesuíta os indígenas perderem sua identidade, sua verdadeira etnia. Foram forçados a pensar e agir conforme o homem branco desejava. Isso veio provar que não houve aculturação
Na realidade foram feitos de escravos para atender as constantes necessidades dos colonizadores.
Até hoje vemos o seguinte pensamento "índios é coisa do passado" eles não tem direitos e não precisam ser respeitados e com isso se faz o processo do preconceito.
Algo que marcou minha leitura foi à questão sobre a floresta Amazônica já ter sido povoada por grandes cidades indígenas na época da colonização. Hoje ao ler parece tudo muito óbvio, mas nunca tive a oportunidade e talvez a curiosidade de aprofundar os estudos dessa maneira.
Uma nova visão passa a fazer parte dos pensamentos sobre a cultura indígena.
Como podemos achar que os índios são burros ou imperfeitos se possuem tantas qualidades. Conseguiríamos construir cidades, sem ferramentas industriais, em meio à floresta Amazônica totalmente de mata densa?
Com esta concepção vemos que nossa ideia de floresta nativa não pode ser real, se grandes áreas foram desmatadas para essas construções indígenas.
A organização e a independência econômica também é algo que me chamou a atenção.
Mesmo com o decorrer de mais 500 anos de história ainda podemos verificar os preconceitos que permeiam este universo. A maior comprovação disso foi a constituição de 1988 em que os índios foram considerados como povo e não como nação.
Para entendermos a alfabetização indígena precisamos conhecer a historia, a cultura indígena.
Quando os jesuítas buscaram alfabetizá-los foi com a ideia de tornar mais fácil a escravidão. Tinham como objetivo a não revolta contra suas ideias.
O que não fazia parte de meus saberes é a questão do retorno à abundância, não fazia nem ideia de que isso fazia parte da história. Buscar o resgate à cultura indígena através do sobreviver com o que possuem em seus espaços, com suas próprias economias.
A educação indígena atual concebe a ideia de liberdade, de autonomia e abundância, isso tudo dentro da pedagogia freireana.
A educação indígena voltada para apenas ler e calcular o básico, fazia parte da ditadura, o que hoje, com os avanços tecnológicos, não cabe mais na vida indígena; eles precisam de mais conhecimentos para conquistar espaços na sociedade.
Com a chegada da nova república houve uma grande mudança; a ação contestadora para uma ação institucional.
A ideia que eu tinha das escolas indígenas era alfabetizariam os índios e que seguiriam a vida escolar como todos nós e aqui pude verificar que é diferente, que depende muito a qual etnia pertence, mas na maioria são educados com alfabetização bilíngue.
Também achava que as escolas indígenas eram mantidas pelo Funai e não por instituições não governamentais.
Já havia me inteirado sobre os educadores que na maioria são indígenas.
Muito interessante, também, são as propostas pedagógicas que fazem parte dos projetos das escolas indígenas. São interdisciplinar e inter-institucional, onde é possível transformar a escola em um espaço de busca de conhecimento não somente em alfabetização, mas também sobre os afazeres domésticos, cursos profissionalizantes, tudo baseado em ter sentido para eles.
O homem tendo contato direto com a natureza é capaz por si só de construir sua cultura. Com o corpo é capaz de aprender valores, normas e costumes sociais formando assim, um conjunto de expressões e é isso que a escola indígena tenta também resgatar, a chamada educação do corpo indígena, algo que antes também não tinha noção que existia.
Como sendo um texto que trata de uma educação distante da nossa realidade, quase que todas as ideias vistas foram novas pra mim, algumas já tinha uma leve noção. Acredito que agora posso falar com mais propriedade sobre a educação indígena.
O que ficou claro para mim foi que para trabalhar com a educação indígena também devemos agir como fazemos com nossos alunos, nos inteirar sobre seus costumes, crenças e valores, antes de realizarmos a proposta pedagógica. Desta forma, as aulas ficarão mais agradáveis e contemplarão realmente aquilo que permeiam suas reais necessidades.

Referencias:
http://www.sil.org/americas/brasil/porteduc.htm. Acesso em 14/12/2009.

http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/ensino-cara-indio-423345.shtml-Edição 165,09/2003. Acesso em 14/12/2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário